
(...)
«É certo ser estranho não mais habitar a terra,
não mais agir conforme o que mal acabáramos de aprender,
não mais dar às rosas, e a todas as outras coisas identicamente promissoras
o significado do humano futuro;
não mais ser o que se tinha sido
em infinitamente angustiadas mãos, e abandonar até
o próprio nome, como se fosse um brinquedo quebrado.
É estranho não mais desejos desejar. Estranho,
passar a ver sem conexão, disperso pelo espaço,
tudo o que antes tinha unidade. Estar morto
é laborioso e cheio de recomeços, até que aos poucos
nos apercebamos da eternidade.»
(...)
Rainer Maria Rilke, Primeira Elegia de Duíno
«Quando os relógios batem tão perto
ResponderEliminarcomo dentro do próprio coração,
e as coisas com vozes débeis
perguntam umas às outras:
- Estás aí? - :
então não sou o mesmo que de manhã acordou,
a noite dá-me um nome
que nenhum daqueles a quem de dia falei
ouviria sem angústia -
Cada porta
cede dentro de mim...»
Rainer Maria Rilke
(o último que li dele.)
:)
beijinho*