
Na Assembleia do Inverno, ocorrência rotineira do Dia da Árvore, as nuvens carregadas de escuros e os trovões de luz continham-se para não aplaudirem em demasia as propostas apresentadas. Cada explosão de palmas significa tempestade, de imediato atribuída ao buraco do ozono que, cada vez mais alvo de documentários, já não tem noites de sossego. Para todos os efeitos o buraco dormia, há que bloquear o entusiasmo.
Um aparatoso e bem conjugado jogo de espelhos transformava três ou quatro nuvens pingadas, mais uma ou outra faísca de relâmpago, numa assembleia infinita. Sobre a mesa, ideias de grandiosidade. Pequenos heróis em auto-elogio, o reflexo traidor, combinado vegetal de multiplicações várias, voto anónimo de braço no ar, viva a Assembleia, viva o debate arrogante do pré-decidido.
Pintura: Rainwater dreaming, Moses Fry
O que é a trovoada? É quando duas nuvens batem uma na outra...
ResponderEliminarEu gosto quando os teus textos conversam comigo. Gosto de conversar contigo:)
boa tarde. o senhor é que é o presidente da assembleia? era para pedir mais poemas. sabe. a gente anda carente. precisa muito da sua criatividade. se fizesse o favor de escrever uns versos. a gente ficava muito agradecida. e até o deixava renovar o mandato.
ResponderEliminarum abraço.
o céu. o céu. e tudo o que lhe pertence. gosto
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