30.4.07

aquele primeiro de maio

Um.
O elefante já não toca o sino.

A águia já não afia o bico no caroço da maçã.
O leão já não paga a salada de zebras por débito bancário.
O nosso circo sofreu uma profunda reestruturação.
O nosso sincero pedido de desculpas.

Dois.
Compre o sol para os óculos que o nosso presidente hoje usa, se faz o favor.
Se amanhã chover, venda-o. O nosso presidente paga com decretos de lei mágicos.
Um mosquito para cada candeeiro, uma arca de sal para conservar as ideias, três quilos de anzol para domesticar o peixe.
E outras soluções mais reais. Sete dias para cada semana, uma cruz de sangue para cada dia.

Três.
É só seguir as ambulâncias amarelas.
Há uma praça com patos desligados à corrente de rio, época de seca, uma feira de cebolas a interromper o fado todas as quintas à tarde, uma ponte de mel, passas o ferrão das abelhas e estás na zona propícia em acidentes.
Depois é só seguir as ambulâncias amarelas.

Quatro.
Sete mais noite igual a sombra mais luz igual a mais consciência menos trevo igual a sorte menos direitos menos seis igual a solidão mais ninguém mais nenhum mais zero mais muro mais tecto mais luz mais porta igual a casa menos o resto menos os sonhos mais sexo menos género igual a profunda desigualdade social.

3 comentários:

  1. Clap clap clap! (O meu sincero pedido de desculpas por não saber escrever uma salva de palmas.)

    E não digo mais nada.

    Beijinho*

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  2. Ops gostei de passear por aqui. Jhs e parabéns.

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