18.1.07

sopra-lhe ternura e desliga

Atravessam a rua com o dobro dos passos porque, para além das quatro pernas, amam-se.

Experimenta o espasmo,
espalha o espanto pelo corpo
como é galopante a espera.

Expira o fumo para uma mesa sozinha
sobra-lhe voz para a certeza no telefone:
dois passos num só
caminham em silêncio para uma chave.

Chegam ao outro lado da rua como o desejo nos vinte dedos da mão. Porque, para além dos dois braços cada, sabem que são quatro.

7 comentários:

  1. Alguma vez irás escrever alguma coisa que não me comova desta maneira?

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  2. Hugo Torres18/01/07, 19:30

    agora andamos com perguntas retóricas, é isso? =o)

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  3. Afinal desligar passa a ser impossível.

    Beijinhos
    Lia

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  4. sempre em forma! gosto do novo visual.

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  5. Foi uma das coisas mais lindas que eu já li, meu amigo poeta. Você é um romântico que nasceu fora de época só para que meninas como eu possam ainda suspirar. beijos

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  6. «Dois braços servem para dar um abraço,assim como quatro braços servem para dar dois abraços...
    e vão ser tantos os abraços que não vão chegar os braços»

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